quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
Ciclo de vitória. Meus sonhos.
CICLO DE VITÓRIA — O FECHAMENTO DA TRAVESSIA
Eu atravessei a noite muitas vezes
sem anunciar meu nome.
Aprendi a caminhar no escuro
quando ainda perguntavam se eu tinha medo.
Houve portões.
Alguns abertos, outros fechando atrás de mim.
Houve feras que só aparecem
quando a consciência dorme
— e eu estava acordada.
Corri.
Não para fugir,
mas para lembrar o caminho do corpo
quando a mente se perde.
Corri sabendo o resultado
antes do fim,
porque certas vitórias
não precisam ser provadas.
Guardei limiares.
Esperei a criança passar.
Senti mãos se entrelaçarem
sabendo que iriam soltar.
E mesmo assim,
não doeu.
Entrei em casas antigas
onde o tempo não fazia barulho.
Toquei o silêncio de alguém ferido
sem tentar curar.
A paz não pediu explicação.
Vi carpas subirem contra a corrente,
uma delas azul —
e quando a vi,
ela mudou.
Nem tudo quer ser mostrado por muito tempo.
Houve monges,
toques de recolher,
portas pesadas.
Houve um abraço que não devia
e, ainda assim,
era amor.
Cuidei de plantas
sem saber que cuidava de mim.
Brotos avermelhados nasceram
quando a luta ainda existia.
E eu continuei.
Até que, do outro lado do vaso,
onde eu não olhava mais,
a flor veio.
Branca.
Delicada.
Inteira.
Não como promessa.
Como constatação.
A batalha terminou
no momento em que deixei de lutar
contra quem eu era.
Agora eu cultivo.
Agora eu habito.
Agora eu sei.
O que era travessia
virou chão.
O que era sombra
virou raiz.
O que era busca
virou casa.
E isso
— isso é vitória.
:Daniela.
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